Entrevista publicada na Revista Teoria e Debate de Outubro de 2007
1-Qual o balanço que o deputado faz do 3° Congresso?
Jilmar Tatto: Teve uma importância singular. Primeiro, consolidou a idéia de renovação. Temos 27 anos de história e somos um partido em constante transformação graças ao respeito à pluralidade de posturas. Tivemos muitas experiências, boas e ruins, e é chegado o momento de iniciarmos esse processo para oxigenarmos as propostas e lançarmos novas lideranças que vêm, há tempos, exercendo papéis importantes no PT. Um segundo aspecto é que estamos unidos no firme propósito de buscar, cada vez mais, a concretização de um partido e, em conseqüência, de um governo que preserve os ideais socialistas de igualdade e justiça social.
Tendo em vista as resoluções tomadas pelo partido, quais os desafios da próxima direção?
Jilmar Tatto: Temos claro que deveremos dar consistência e estímulo para uma maior participação dos nossos filiados e filiadas na vida e, especialmente, nas decisões partidárias. Outra questão diz respeito à defesa da ética partidária. Não somente como uma resposta à sociedade, mas a nós mesmos, aprovamos a necessidade de criação de nosso Código para que evitemos a ocorrência de desvios de qualquer um de nossos filiados e filiadas. E já duas questões fundamentais: as eleições de 2008 e 2010.
3- Qual sua interpretação da resolução de tática eleitoral para 2010? O partido deve assumir a proposta de candidatura própria desde já?
Jilmar Tatto: Defendo, desde a primeira hora, que o PT tenha candidato próprio para a sucessão do presidente Lula. Além de ele ser filiado ao nosso partido, é incontestável que nós é que lhe damos a maior sustentação para a governabilidade. A resolução tirada no Congresso vai nesse caminho porque, justamente, temos clareza da importância de nossos aliados, seja no exercício de governo e seu apoio no Legislativo, seja para os próximos embates eleitorais que teremos, em 2008 e 2010. Daí que teremos, sim, um nome próprio para apresentar aos nossos aliados.
4- Por que o deputado votou contra a constituinte exclusiva para a reforma política?
Jilmar Tatto: Reforma política implica em ruptura política, o que não é o caso neste momento. Na Constituição de 1988, houve avanços quanto aos direitos individuais e coletivos dos trabalhadores. E, agora, com esta exclusividade, há risco de que sejam afetados. Daí ser temerário entregar essa tarefa a “especialistas”. Já tivemos a experiência da reforma constitucional efetuada pelo Congresso, entre outubro de 1993 e junho de 1994, o qual tem toda a legitimidade para tal. Internamente, o PT terá de apresentar à sociedade uma proposta consistente. Trabalho para que, por exemplo, sejam garantidos o financiamento público e exclusivo de campanhas, a fidelidade partidária, a proporcionalidade eleitoral entre os estados e a lista pré-ordernada de candidaturas.