Uma virada na alimentação escolar
Em janeiro de 2001, Jilmar Tatto assumiu a Secretaria Municipal de Abastecimento (SEMAB) com atuação nas áreas de alimentação escolar, feiras livres, mercados municipais, sacolões, banco de alimentos, a organização das atividades de abastecimento de gêneros alimentícios no município de São Paulo, funcionamento de estabelecimentos atacadistas, varejistas e de consumo público de alimentos, bem como a sua fiscalização.
No que tange à alimentação escolar, Jilmar promoveu uma grande virada no cardápio servido aos alunos da rede escolar municipal. No início, mais de 200 escolas tinham apenas a merenda seca (bolachas) por falta de equipamentos de cozinha e por falta de mão-de-obra. Por meio de uma portaria instituiu-se a obrigação das escolas servirem refeições, pois nas comunidades carentes a merenda escolar era a única refeição diária para muitas crianças. Assim, os alunos passaram a comer arroz, feijão, carne e legumes.
Na época, os alimentos eram distribuídos diariamente a 874 Escolas de Educação Infantil (EMEIs) e de Educação Fundamental (EMEFs) e 720 creches diretas e conveniadas. A alimentação era diversificada: carne bovina, frango, peixe, salsicha, almôndegas de carne e frango, batata, mandioca, inhame, pêra, maçã, melancia, mamão, banana, tangerina, feijão (tipo 1), leite, misturas lácteas, margarina, óleo, extrato de tomate, alho e cebola, dando-se preferência aos produtos naturais, evitando-se os produtos industrializados. Também eram distribuídos 1,6 milhões de quilos de leite por mês pelo programa Leva-Leite, adquiridos com preço reduzido, após Jilmar Tatto coordenar a apuração de irregularidades na licitação do governo anterior.
Para organizar a distribuição, os alimentos permaneciam num armazém para três mil toneladas, com sistema de higienização muito eficaz, acompanhado pela fiscalização sanitária. Tudo bem conferido por uma balança rodoviária e acompanhado pelo Departamento de Inspeção Municipal de Alimentos (DIMA) que atestava a qualidade dos produtos. Os congelados eram armazenados na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) e retirados no SERBOM (frigorífico da SEMAB) por caminhões frigoríficos e distribuídos à rede escolar no período matutino.
Em novembro de 2001, 100% da rede municipal eram atendidos com refeição diária, sob a supervisão de nutricionistas que visitavam as escolas orientando as merendeiras sobre a manipulação de alimentos e higiene pessoal e do ambiente. No total, 1,4 milhões de refeições por dia.
Na coordenação da SEMAB, Jilmar implantou um projeto com crianças em idade pré-escolar e também do ensino fundamental para avaliação do seu estado nutricional, verificar a ocorrência de anemia por deficiência de ferro, analisar a merenda oferecida e adequar todas as necessidades nutricionais e o potencial de causar cáries. Para isso, passou-se a realizar a pesagem, medição da altura e coleta de amostras sanguíneas e exame clínico bucal.
Jilmar Tatto também foi o responsável pela criação da Coordenadoria de Projeto Sociais na SEMAB, com a finalidade de planejar e executar iniciativas com o objetivo de erradicar a fome e a desnutrição na cidade de São Paulo. "São Paulo Sem Fome" foi o primeiro projeto que desenvolveu os programas "Desperdício Zero" e "AlimentAÇÃO".
"Desperdício Zero" teve como objetivos levar o alimento à população mais carente e evitar o desperdício nos mercados e sacolões, destinando alimentos não comercializados para entidades assistenciais. O projeto foi instalado em todos os mercados municipais e em cada sacolão da SEMAB. De forma voluntária, os permissionários (comerciantes detentores de boxes) que comercializavam frutas, legumes e verduras aderiam ao projeto, e decidiam quais as entidades beneficiadas.
O banco de alimentos, "AlimentAÇÃO", iniciado depois do Programa "Desperdício Zero" organizou a captação e doação de alimentos para entidades sociais, que os repassam às famílias necessitadas. Este programa também agregou subprogramas educativos com oferta de oficinas culinárias, entre outros treinamentos.
Na gestão de Jilmar Tatto à frente da SEMAB, foi criado o Programa de Hortas Comunitárias, com atendimento de engenheiros agrônomos e assistentes a comunidades organizadas, escolas, creches e associações de moradores. De janeiro a agosto de 2001, cerca de 320 escolas já tinham implantado o programa. O trabalho realizado promoveu melhoria na alimentação de muitas famílias e elevou o nível de organização e solidariedade das pessoas envolvidas.
Ainda, em 2001, Jilmar fechou uma parceria com produtores de Cotia e Ibiúna e com a Administração Regional de Pinheiros para a instalação de uma feira de produtos orgânicos no Parque Ipê, na Rodovia Raposo Tavares. Dentro da reflexão de segurança alimentar e qualidade de vida realizada na SEMAB deu-se espaço para essa experiência que seria ampliada em outros bairros da cidade.